# Orquestração de Agentes de IA no Direito: Construindo Workflows de Triagem e Resumo de Casos sem Perder a Validação Humana

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> Published: 2026-08-29 15:12:31+00:00

A inteligência artificial no setor jurídico ultrapassou a fase dos *chatbots* genéricos de pergunta e resposta. Quando lidamos com o Direito, o custo de uma "alucinação" de IA não é apenas um incômodo — pode significar a perda de um prazo fatal, uma tese fundamentada em jurisprudência inexistente ou a violação de sigilo.

Para resolver esse problema, a engenharia de software aplicada a LegalTechs está migrando para os **Agentic AI Workflows** (Workflows de IA Agêntica). Em vez de depender de um único *prompt* gigantesco para resolver um problema complexo, orquestramos múltiplos agentes especializados.

Neste artigo, vamos detalhar como arquitetar uma esteira de triagem, busca vetorial e sumarização de processos, utilizando ferramentas maduras e garantindo que o advogado permaneça como o orquestrador final no *Quality Gate*.

A premissa da orquestração de agentes é a especialização. Cada agente no sistema possui um escopo restrito, ferramentas específicas (*tool use*) e um objetivo claro. Em um cenário de entrada de um novo processo longo (ex: um PDF de 500 páginas), o workflow se divide em três estágios:

O primeiro agente atua como o recepcionista. Ele não lê o documento para extrair teses; ele apenas analisa as primeiras páginas para responder: *O que é isso?*

É uma Inicial Trabalhista? Uma intimação de prazo? Uma contestação? A partir dessa classificação, o workflow roteia o documento para a fila correta de processamento.

O segundo agente é o pesquisador. Ele quebra o documento em fragmentos (*chunks*) e cruza as alegações da parte contrária com o acervo interno do escritório.

No ecossistema Elixir, por exemplo, podemos utilizar o **PostgreSQL com pgvector** e Ecto para armazenar os *embeddings* de casos passados e jurisprudências vencedoras do próprio escritório. O agente busca semelhanças e recupera o contexto estritamente necessário.

O terceiro agente recebe o texto bruto e o contexto recuperado. Utilizando modelos robustos (como a **API do Google Gemini**), sua missão é extrair entidades, listar as datas cruciais, os pedidos financeiros e redigir um resumo estruturado. Ele transforma um calhamaço de texto jurídico em um JSON validável.

Chamadas para APIs de LLMs sofrem com latência, *rate limits* e falhas de rede. Tentar rodar um workflow agêntico de forma síncrona, bloqueando a requisição HTTP do usuário, é um atalho para *timeouts*.

A orquestração deve ser estritamente em *background*. Usando uma infraestrutura baseada na BEAM (Erlang/Elixir) e ferramentas de filas robustas como o **Oban**, podemos modelar cada agente como um *worker*. O Agente 1 enfileira o *job* do Agente 2, que por sua vez enfileira o Agente 3. Se a API de IA falhar no passo 2, o Oban aplica um *backoff* exponencial e tenta novamente, sem perder o progresso das etapas anteriores ou bloquear a interface da aplicação.

O ponto mais crítico desta arquitetura é entender que **agentes de IA não peticionam; eles preparam a mesa.**

Após o Agente 3 finalizar a sumarização e sugerir uma minuta (rascunho da defesa), o fluxo sistêmico para. Entra em cena o conceito de **Pair Drafting**. O card na esteira do Scrumban jurídico entra em uma coluna de *Quality Gate* (Revisão).

O advogado, atuando como o humano no controle (*Human-in-the-Loop*), acessa a interface e encontra:

O profissional não precisa gastar 4 horas lendo o processo do zero. Ele atua como um editor sênior: valida a tese, ajusta o tom da minuta, injeta a estratégia humana e aprova a peça.

Construir workflows agênticos para o setor jurídico é um exercício de equilíbrio. Ao especializar agentes para tarefas cognitivas repetitivas — como triagem e busca vetorial — e utilizar infraestruturas assíncronas resilientes, aceleramos exponencialmente a produção intelectual.

No entanto, o diferencial de uma plataforma de *Legal Operations* segura é o design de interface que coloca o advogado como o juiz final do trabalho gerado. O *Human-in-the-Loop* não é um gargalo, é a garantia de qualidade que impede que a velocidade da IA comprometa a segurança jurídica do escritório.
